O papel da translinguagem na Linguística Aplicada (in)disciplinar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52i2.1565

Palavras-chave:

Linguística Aplicada, Translinguagem, Práticas comunicativas contemporâneas

Resumo

Este ensaio está inserido no debate sobre o papel da Linguística Aplicada (in)disciplinar na produção de saberes sobre a vida social contemporânea. Discuto como o conceito de translinguagem pode nos ajudar a questionar entendimentos dominantes sobre bilinguismo e uso da linguagem em um mundo no qual somos desafiados a entender novos modos de comunicação. Argumento que a abordagem translíngue permite que avancemos na discussão teórico-analítica de práticas linguísticas do século XXI e para elaborar esta discussão, além da experiência em empreitadas etnográficas que oferecem a compreensão do campo aplicado, apoio-me em dois textos. Uma foto de uma propaganda de uma rede nacional de curso de idiomas e um pôster de uma campanha política. O primeiro contribui para ilustrar a invisibilidade da complexidade sociolinguística brasileira e o segundo contribui para ilustrar como a mobilidade de pessoas nos desafia a compreender a contingência social, cultural, histórico e política de práticas comunicativas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Metrics

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Maria Inêz Probst Lucena, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Possui graduação em Letras Licenciatura Inglês Português pela Universidade Federal de Santa Catarina (1987), mestrado em Letras (Inglês e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998) e doutorado em Letras na área de Estudos da linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006). Foi professora efetiva- E4 do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina e atua como membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFSC desde 2010. Tem experiência na área de Lingüística Aplicada e Estudos da linguagem, tendo atuado principalmente com os seguintes temas: ensino e aprendizagem de línguas, multilinguismo, políticas linguísticas e formação de professores. Desenvolve estudos etnográficos com base na linguistica Aplicada, destacando aspectos socioculturais, políticos e ideológicos presentes no ensino e aprendizagem de línguas. Busca discutir as práticas de linguagem especialmente no espaço da escola pública. Foi coordenadora pedagógica do curso de doutorado interinstitucional entre a UFSC e os Institutos Federais de Santa Catarina - Dinter UFSC/IFSC.

Referências

ASSIS-PETERSON, Ana Antônia; COX, Maria Ines Pagliarini. Transculturalidade e transglossia: para compreender o fenômeno das fricções linguístico-culturais em sociedades contemporâneas sem nostalgia. In: CAVALCANTI, M.; BORTONI-RICARDO, S. M. (orgs.) Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas: Mercado das Letras, 2007.

BORTOLINI, Letícia Soares; GARCEZ, Pedro de Moraes; SCHLATTER, Margarete. Políticas linguísticas e identidades em trânsito: espanhol e português em um cotidiano comunitário escolar uruguaio na fronteira com o Brasil. In: MOITA LOPES, L. P. O Português no Século XXI: Cenário Geopolítico Brasileiro. São Paulo: Parábola. 2013. p. 249- 273.

BLOMMAERT, Jan. The sociolinguistics of globalization. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

BLOMMAERT, Jan; RAMPTON, Ben. Language and superdiversity. Diversities, v. 13, n. 2, p. 1-22, 2011.

BUDDS, Diana. The brilliance of Alexandria Ocasio-Cortez’s bold campaign design. Disponível em: https://www.vox.com/policy-and-politics/2018/7/2/17519414/ocasio-cortez-campaign-design-campaign-posters-tandem-branding. Acesso em: 11 abr. 2020.

CAMPOS, Bianca. Colisão de identidades, culturas e linguagem: um estudo etnográfico em uma comunidade de descendentes de russos. 2015. 171 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós- Graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

CANAGARAJAH, Suresh. Translingual practice: global Englishes and cosmopolitan relations. New York: Routledge. 2013.

CANAGARAJAH, Suresh. Translingual practice as spatial repertoires: expanding the paradigms beyond structuralist orientations. Applied Linguistics, v. 39, n. 1, p. 31-54, 2018.

CAVALCANTI, Marilda Couto. Estudos sobre educação bilíngue e escolarização em contextos de minorias linguísticas no Brasil. DELTA, São Paulo, v. 15, n. especial, p. 385-417, 1999.

CAVALCANTI, Marilda Couto.; BORTONI-RICARDO, Stela. Maris. (orgs.) Transculturalidade, Linguagem e Educação. Campinas: Mercado de Letras, 2007.

CAVALCANTI, Marilda Couto. Educação linguística na formação de professores de línguas: intercompreensão e práticas translíngues. In: MOITA LOPES, L. P. (org.). Linguística aplicada na modernidade recente: Festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola, 2013. p. 211-226.

CREESE, Angela; BLACKLEDGE, Adrian. Translanguaging in the bilingual classroom: a pedagogy for learning and teaching? The Modern Language Journal, v. 94, n. 1, p. 103-115, 2010.

GARCEZ, Pedro de Moraes. Quem é estudante falante de português em famílias de origem brasileira em Toronto, Canadá? questões de classe. Linguagem em (Dis)curso – LemD, Tubarão, SC, v. 18, n. 3, p. 729-749. 2018.

GARCÍA, Ofelia. Bilingual education in the 21st century: a global perspective. Malden, MA and Oxford: Basil/Blackwell, 2009.

GARCÍA, Ofelia; WEI, Li. Translanguaging: language, bilingualism and education. London: Palgrave, 2014.

GREUEL, Izabel. “Falar é bom, mas entender, entender o que a professora tá falando (.) daí é outra coisa”: um estudo etnográfico sobre as práticas de linguagem dos imigrantes haitianos em uma escola pública do município de Blumenau –SC. 2018. 178 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de Santa Catarina, 2018.

GUEROLA, Carlos Maroto. Às vezes tem pessoas que não querem nem ouvir, que não dão direito de falar pro indígena: a reconstrução intercultural dos direitos humanos linguísticos na escola Itaty da aldeia guarani do Morro dos Cavalos. 2012. 184 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de Santa Catarina, 2012.

GUEROLA, Carlos Maroto. “Se nós não fosse guerreiro, nós não existia mais aqui”: Ensino-aprendizagem de línguas para fortalecimento da luta guarani, kaingang e laklãnõ-xokleng. 2017. 442 f. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

HELLER, Monica; McELHINNY, Bonnie. Language, capitalism, colonialism: toward a critical history. Toronto: University of Toronto Press, 2017.

JACQUEMET, Marco. Transidiomatic practices: language and power in the age of globalization. Language & Communication, v. 3, n. 25, p. 257-277, 2005.

LUCENA, Maria Inêz Probst; CAMPOS, Bianca. Dinâmicas sociolinguísticas e culturais de inclusão/exclusão de alunos descendentes de imigrantes russos no Sul do Brasil. Linguagem em (Dis)curso (online) ,v. 18, n. 3, p. 715-728, 2018.

MAHER, Terezinha Machado. Do casulo ao movimento: a suspensão das certezas na educação bilíngue e intercultural. In: BORTONI-RICARDO, S. M.; CAVALCANTI, M. C. (orgs.). Transculturalidade, Linguagem e Educação. Campinas: Mercado de Letras, 2007. p. 67 94.

MAHER, Terezinha Machado. Ecos da resistência: políticas linguísticas e línguas minoritárias no Brasil. In: NICOLAIDES, C.; SILVA. K. A.; TÍLIO, R.; ROCHA, C. H. (orgs.). Política e políticas linguísticas. São Paulo: Pontes, 2013. p. 117-134.

MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario. Para uma redefinição de letramento crítico: conflito e produção de significação. In: MACIEL, R. F.; ARAÚJO, V. A. (orgs.). Formação de professores de línguas: ampliando perspectivas. Jundiaí: Pacto Editorial, 2011. p. 128-140.

MOITA LOPES, Luiz Paulo. (org.). Por uma Lingüística Aplicada Indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006.

MOITA LOPES, Luiz Paulo da. Introdução. Fotografias da Linguística Aplicada brasileira na modernidade recente: contextos escolares. In: MOITA LOPES, L. P. Linguística aplicada na modernidade recente: Festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola, 2013a. p. 15-37.

MOITA LOPES, Luiz Paulo da. O Português no Século XXI: Cenário Geopolítico Brasileiro. São Paulo: Parábola. 2013b.

MONTE MOR, Walkyria. Multi, trans e plural: discutindo paradigmas. Prefácio. In: TAKAKI, N. H.; MACIEL, R. F. (orgs). Letramentos em terra de Paulo Freire. Campinas: Pontes, 2017. p. 9-22.

OLIVEIRA, Denise Pimenta; NASCIMENTO, André Marques.Translinguajamento: pensando entre línguas a partir de práticas e metadiscursos de docentes indígenas em formação superior. Revista Digital dos Programas de Pós-Graduação do Departamento de Letras e Artes da UEFS, Feira de Santana, v. 18, n. 3, p. 254-266, set.-dez. 2017.

OTHEGUY, Ricardo.; GARCÍA, Ofelia.; REID, Wallis. A translanguaging view of the linguistic system of bilinguals. Applied Linguistics Review, v. 10, n. 4, p. 625-651, 2019. Disponível em: https://www.degruyter.com/view/journals/alr/10/4/article-p625.xml Acesso em: 16 maio 2019.

PENNYCOOK, Alastair. Language as a local practice. Abingdon: Routledge, 2010.

PENNYCOOK, Alastair. Mobile times, mobile terms: The trans-super-poly-metro movement. In: COUPLAND, N. (ed.). Sociolinguistics: theoretical debates. Cambridge: Cambridge University Press, 2016. p. 201-206.

PRATT, Mary Louise. Utopias Linguísticas. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 52, n. 2, p. 437-459, 2013 [1987].

RAJAGOPALAN, Kanavilil. Linguagem, o santo graal da linguística. In: SIGNORINI, I. (org.). Situar a linguagem. São Paulo: Parábola, 2008. p. 15-38.

SCHLATTER, Margarete; GARCEZ. Pedro. Línguas adicionais na escola: aprendizagens colaborativas em Inglês. Erechim: Edelbra, 2012.

SIGNORINI, Inês.; CAVALCANTI, Marilda Couto. (orgs.). Linguística Aplicada e Transdisciplinaridade. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1998.

SIGNORINI, Inês. Lingua(gem) e identidade: elementos para uma discussão no campo aplicado. Campinas: Mercado de Letras, 1998.

SIGNORINI, Inês. Por uma teoria da desregulamentação lingüística. In: Bagno, M. (org.). Lingüística da norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 93-125.

SIGNORINI, Inês. Questão da língua legítima na sociedade democrática: um desafio para a Linguística Aplicada contemporânea. In: MOITA LOPES, L. P. (org.). Por uma Lingüística Aplicada Indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006. p. 169-189.

SIGNORINI, Inês. Política, língua portuguesa e globalização. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo. O Português no Século XXI: Cenário Geopolítico Brasileiro. São Paulo: Parábola. 2013. p. 74- 100.

SIGNORINI, Inês. Por que o estudo das interfaces do português contemporâneo é relevante para o campo aplicado dos estudos da língua(gem). Linguagem em (Dis)curso, v. 18, n. 3, p. 665-672, set./dez. 2018.

WEI, Li. Translanguaging as a theory of practice. Applied Linguistics, v. 39, n. 1, p. 9-30, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1093/applin/amx039. Acesso em: 30 abril, 2019.

YIP, Joanna, GARCÍA, Ofelia. Translinguagens: recomendações para educadores. Iberoamérica Social: revista-red de estudios sociales, v. IX, p. 164-177. Disponível em: https://docplayer.com.br/75339069-Translinguagens-recomendacoes-para-educadores.html. Acesso em: 12 maio 2021.

Downloads

Publicado

2021-11-18

Como Citar

Lucena, M. I. P. (2021). O papel da translinguagem na Linguística Aplicada (in)disciplinar. Revista Da Anpoll, 52(2), 25–43. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52i2.1565