O heterodiscurso como espaço do corpo e da linguagem dos falsos narradores em Mayombe
DOI:
https://doi.org/10.18309/ranpoll.v56.2066Palavras-chave:
heterodiscurso, linguagem, espaço, MayombeResumo
Neste artigo procuramos afirmar que as exposições dos personagens presentes em Mayombe, os falsos narradores, são espacialidades demarcadas de um discurso e de um corpo no interior da narrativa. Em realidade esses variados discursos são a base que sustenta o heterodiscurso, um “sistema harmonioso” que, pelo esforço estilístico do autor, comporta, ao mesmo tempo, diversidades de linguagens e dissonâncias individualistas. O heterodiscurso, ideia fundamental do nosso texto, foi definido por Mikhail Bakhtin (2015) na obra Teoria do Romance I: a estilística, livro que recorremos para definir o conceito. Partindo, assim, dos esclarecimentos do filósofo russo e das percepções de espaços elaboradas por Michel de Certeau (2014), Luis Alberto Brandão (2019), Martin Heidegger (2012) e Yi-Fu Tuan (1983), chegamos à consideração de que o discurso de cada falso narrador são espaços representados que comportam o corpo e a linguagem da personagem, isto é, constrói o heterodiscurso social, cultural e político de Angola no romance de Pepetela.
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