Arte e mercadoria em “Gesso”, de Manuel Bandeira
DOI:
https://doi.org/10.18309/ranpoll.v56.2052Palavras-chave:
Manuel Bandeira, poesia brasileira, arte e vida cotidiana, estética da mercadoriaResumo
O artigo propõe uma leitura crítica do poema “Gesso”, de Manuel Bandeira, presente no livro O ritmo dissoluto (1924). Junto com outros poemas da obra, “Gesso” configura liricamente a relação entre arte e vida cotidiana, propondo, sem didatismo, uma certa concepção de poesia válida universalmente e que contribui para renovar a poética do autor. Na análise, é destacada, especialmente, a relação entre arte e mercadoria, ao se argumentar sobre o processo de espelhamento entre a figura de gesso e o próprio poema, cuja estruturação literária é atravessada pelos procedimentos da narratividade, da reflexividade lírica e do uso do verso livre. Busca-se, debatendo com Holz (1979), Lukács (2013) e Rosenbaum (2013), demonstrar como o trabalho poético atua sobre a estátua de gesso, libertando-a da condição inicial de mero adorno e tornando-a algo humanamente significativo nos termos da arte.
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Referências
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