A emergência de políticas linguísticas estruturantes no Brasil: Realinhando um campo de saber

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v56.2024

Palavras-chave:

Política linguística, Políticas linguísticas estruturantes, Estudos de linguagem, Brasil

Resumo

Neste trabalho teórico, a partir da análise de políticas linguísticas para indígenas no Brasil, após a redemocratização, constatamos a existência de políticas linguísticas estruturantes. Revisitando a construção da Política Linguística enquanto campo de saber dos Estudos de Linguagem e seu referencial teórico, reconhecemos que há espaço para pensarmos essa nova categoria teórico-metodológica ao lado das outras já conceituadas como a política linguística de status, de corpus e de aquisição. Essas políticas linguísticas estruturantes seriam aquelas direcionadas para a organização e a estruturação de ações para as demais políticas linguísticas, estando relacionadas principalmente à criação de órgãos específicos para políticas linguísticas.

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Biografia do Autor

Diego Barbosa da Silva, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Tecnólogo em Comunicação Assistiva (Unintese)

Bacharel e licenciado em Ciências Sociais

Bacharel em Letras Português - Libras (Uníntese)

Especialização em Relações Internacionais (PUC-Rio)

Especialização em Libras (uniasselvi)

Especialização em Tradução e Interpretação Português Libras (Unesa)

Mestre em Linguística e Línguas Indígenas (UFRJ)

Mestre em Letras/Linguistica (UERJ)

Doutor em Estudos de Linguagem (UFF)

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Silva, D. B. da. (2025). A emergência de políticas linguísticas estruturantes no Brasil: Realinhando um campo de saber. Revista Da Anpoll, 56, e2024. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v56.2024

Edição

Seção

Estudos Linguísticos