Da Geolinguística à Sociolinguística Variacionista

um panorama da variação fonológica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52iesp.1584

Palavras-chave:

Geolinguística, Sociolinguística, vogais médias pretônicas, fricativas coronais, oclusivas dentais/alveolares

Resumo

O Grupo de Trabalho de Sociolinguística da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, desde sua origem, reúne pesquisadores voltados para estudos nas perspectivas da Geolinguística e da Sociolinguística Variacionista. São projetos que tratam, muitas vezes, de comunidades específicas, mas também que veem o uso espelhando, não apenas a identidade de um grupo, mas a identidade de um povo. Muitos desses estudos são focados em uma das áreas mais centrais para se compreender a diversidade da língua no território brasileiro: a fonologia. São inúmeras as variáveis analisadas, envolvendo processos fonológicos relacionados às vogais, às consoantes, à sílaba, etc., marcando a identidade de diferentes comunidades de fala. Neste artigo, o objetivo é, a partir de estudos realizados nas perspectivas da Geolinguística e da Sociolinguística Variacionista, apresentar um panorama de como três variáveis selecionadas se comportam em algumas regiões do Brasil. Diante do grande número de variáveis analisadas por integrantes do GT, optou-se por selecionar as vogais médias pretônicas, as fricativas coronais em coda silábica /s, z/ e as oclusivas dentais/alveolares /t, d/. O resultado dessa análise deixa clara a intercomplementaridade das duas áreas para o conhecimento do Português do Brasil.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Metrics

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Dermeval da Hora, Universidade Federal do Pará, Belém, Pará, Brasil

Professor Titular pela Universidade Federal da Paraíba (aposentado), Presidente da Associação de Linguística e Filologia da América Latina e Membro do Comitê Internacional de Linguistas Permanentes (CIPL).

Silvia Figueiredo Brandão, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Professora Titular de Língua Portuguesa da Universidade Fedearal do Rio de Janeiro, Cientista de nosso
Estado (FAPERJ, 2014).

Referências

AGUILERA, Vanderci de Andrade. Atlas Linguístico do Paraná. Curitiba: Imprensa Oficial do Estado, 1994.

ALMEIDA, Fabiana da Silva Campos. Micro Atlas Fonético do Estado do Rio de Janeiro: uma contribuição para o conhecimento dos falares fluminenses. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. 2 v.

ARAGÃO, Maria do Socorro Silva; MENEZES, Cleusa Palmeira Bezerra. Atlas Linguístico da Paraíba. João Pessoa/Brasília: UFPB/CNPq, 1984. 2v.

BISOL, Leda. A palatalização e sua restrição variável. Miemo, 1985.

BISOL, Leda. Harmonia vocálica: uma regra variável. Tese (Doutorado em Linguística) Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1981.

BRANDÃO, Silvia Figueiredo; CRUZ, Maria Luiza. Um estudo contrastivo sobre as vogais médias pretônicas em falares do Amazonas e do Pará com base nos dados do ALAM e do ALISPA. In: AGUILERA, Vanderci. (Org.) A geolinguística no Brasil: trilhas seguidas, caminhos a percorrer. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina, 2005. p. 299-318.

BRANDÃO, Silvia Figueiredo. A variável (S) na fala do Estado do Rio de Janeiro. In: ALTINO, Fabiane (Org.) Múltiplos olhares sobre a diversidade linguística: uma homenagem a Vanderci de Andrade Aguilera. Londrina: Midiograf, 2012. p. 230-250.

BRANDÃO, Silvia Figueiredo. Eixo 1: Variação e Mudança Linguística. Comunicação apresentada na mesa redonda A pesquisa Sociolinguística/Geolinguística brasileira: presente e futuro, do I Fórum Internacional de Sociolinguística: descrição, teoria, metodologia e ensino. Faculdade de Letras da UFRJ, novembro de 2019.

BRESCANCINI, Cláudia Regina. A fricativa palato-alveolar e sua complexidade: uma regra variável. Tese (Doutorado em Letras) Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002.

CALLOU, Dinah M. I. Variação e distribuição da vibrante na fala urbana culta do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: PROED, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1987.

CALLOU, Dinah M. I; MORAES, João A; LEITE, Yonne. Consoantes em coda silábica: /s, r, l/. In: ABAURRE, M. Bernadete (Org.). A construção fonológica da palavra. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2013. v. VII, p. 167-194.

CARDOSO, Suzana Alice M. Tinha Nascentes razão? (Considerações sobre a divisão dialetal do Brasil). Estudos Linguísticos e Literários, Salvador, n. 5, p. 49-59,1986.

CARDOSO, Suzana. Sobre a africada [t∫] no português do Brasil. Dialectologia et Geolinguistica-DIG, v. 1, p. 92-111, 1993.

CARDOSO, Suzana Alice M. Et al. Atlas Linguístico do Brasil, 2.v. Londrina: Eduel, 2014.

CRUZ, Maria Luiza. Atlas Linguístico do Amazonas. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. 2 v.

FERREIRA, Carlota et al. Atlas Linguístico de Sergipe. Salvador: UFBA/FUNDESC, 1987.

HORA, Dermeval da. Fricativas coronais: análise variacionista. In: RONCARATI, Cláudia, ABRAÇADO, Jussara (Orgs.). Português brasileiro: contato linguístico, heterogeneidade e história. Rio de Janeiro: Viveiro de Castro, 2003. p. 69-89.

HORA, Dermeval da. A palatalização das oclusivas dentais /t/ e /d/ e as restrições sociais. Graphos, v. 2, n. 1, p. 116-125, 1997.

HORA, Dermeval da. Projeto Variação Linguística no Estado da Paraíba, 1993.

HORA, Dermeval da. A palatalização das oclusivas dentais: variação e representacão não linear. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1990.

KURATH, Hans et al. Linguistic Atlas of New England. Providence, R. I: American Council of Learned Societies, 1941.

LABOV, William. The social motivation of a sound change. Word, v. 19, p. 273-309, 1963.

LABOV, William; ASH, Sharon; BOBERG, Charles. Atlas of North American English: phonetics, phonology and sound change. Berlin: Mouton de Gruyter, 2006.

LABOV, William. Where are we now? Journal of Sociolinguistics, v. 20, n. 4, p. 581-602, 2016.

LIMA, Luciana Gomes de. Atlas Fonético do entorno da Baía de Guanabara. (Dissertação em Letras Vernáculas). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006. 2 v.

MONARETTO, Valéria N. O. Um reestudo da vibrante: análise variacionista e fonológica. Tese (Doutorado em Letras). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997.

NASCENTES, Antenor. O linguajar carioca, 3. ed. Rio de Janeiro, Organização Simões, 1953.

NASCENTES, Antenor. O idioma nacional. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1960.

PEDROSA, Juliene Lopes Ribeiro. Análise do /s/ pós-vocálico no PB: Coda ou Onset? Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009.

PEREIRA, Regina Celi Mendes. As vogais médias pretônicas no falar pessoense urbano. Dissertação (Mestrado em Letras). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1997.

RADTKE Edgar; THUN Harald. Novos caminhos da geolinguística románica. Um balanço. In: RADTKE, Edgar; THUN, Harald (Org), Neue Wege der romanischen Geolinguistik: Akten des Symposiums zur Empirischen Dialektologie (Heilderberg/Mainz, 21-24.10.1991), Kiel: Westensee-Verlag, 1996, p. 25-49.

RAZKY, Abdelhak. (Org.) Atlas linguístico sonoro do Pará. Belém: PA/CAPES/UTM, 2004. CDRoom.

RÉVAH, I. S. L’évolution de la prononciation au Portugal et au Brésil du XVIe. siècle à nos jours. In: Anais do I Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura, 1958. p. 387-402.

RIBEIRO, José et al. Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais. v. 1. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa; Universidade Federal de Juiz de Fora, 1977.

RIBEIRO, Silvia Renata. Apagamento da sibilante final em lexemas: uma análise variacionista do falar pessoense. (Dissertação em Letras), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2006.

ROSSI, Nelson; ISENSÉE, Dinah Maria; FERREIRA, Carlota. Atlas Prévio dos Falares Baianos. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1963.

ROSSI, Nelson. Variação diatópica e Sociolinguística. In: Anais do II Congresso de Sócio e Etnolinguística. Niterói: UFF, 1984. p. 101-115.

SILVA, Myrian Barbosa da. As pretônicas no falar baiano: a variedade culta de Salvador. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas), Faculdade de Letras,Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989.

SILVA NETO, Serafim da. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1963.

TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa. Lisboa: Sá da Costa, 1982.

VERNEY, L. A. O verdadeiro método de estudar. 3. ed. Porto: Editorial Domingos Barreira, s. d.[1746]

VIEGAS, Maria do Carmo. O alçamento de vogais e itens lexicais. (Doutorado em Estudos Linguísticos), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001.

YACOVENCO, Lilian Coutinho. As vogais médias pretônicas na fala culta carioca. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas), Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1993.

Downloads

Publicado

2021-09-27

Como Citar

Hora, D. da, & Figueiredo Brandão, S. (2021). Da Geolinguística à Sociolinguística Variacionista: um panorama da variação fonológica. Revista Da Anpoll, 52(esp), 42–63. https://doi.org/10.18309/ranpoll.v52iesp.1584

Edição

Seção

GT de Sociolinguística, 35 anos depois: reflexões e cenários