Literatura para infância e autoritarismo: releituras fascistas de Pinóquio

Heloisa Sousa Pinto Netto

Resumo


O presente artigo aborda as releituras da obra Pinóquio (1883), comumente denominadas pinocchiate, enredos breves que foram publicados na Itália após a morte de seu autor, o jornalista e escritor Carlo Lorenzini, mais conhecido por Carlo Collodi (Florença, 1846-1890). O que motivou este exame foram os questionamentos acerca do valor simbólico da literatura para infância, de seu aspecto permeável a diferentes ideologias e de sua sujeição a diversos tipos de apagamentos, especialmente ao longo do século XX quando estados autoritários encabeçaram ações capazes de questionar a própria noção de civilização ou humanidade.  Governos de caráter autoritário tendem a tomar a educação escolar como canal de cooptação aos seus regimes e, por consequência, os livros de leitura escolar se transformam em vetores modelares para que tal arregimentação se efetive. As derivações da obra Pinóquio destinadas ao uso escolar cujos enredos tomaram por base ideais defendidos pelo regime fascista italiano encabeçado por Benito Mussolini (Forlì 1883 – Mezzegra 1945) são exemplos concretos destes veículos de doutrinação.

Palavras-chave


Pinocchiate; Pinóquio, Literatura para infância; Fascismo

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DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v51i3.1457

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