Rui Torres, precursor de Herberto Helder e Raul Brandão: reimaginação na poética digital

Keilla Conceição Petrin Grande, Rogério Barbosa da Silva

Resumo


A literatura digital é uma das vertentes da literatura contemporânea, cujos textos partem de recursos hipermidiáticos e digitais em seu processo de elaboração. As escritas assim caracterizadas tanto apresentam inovações no campo estético, quanto preservam, reconfiguram e renovam modalidades do fazer literário inscritas na tradição. Nessa perspectiva, situa-se o texto Húmus - poema contínuo, do escritor português Rui Torres, que, além das várias mídias – som, imagem, texto – de que dispõe na produção do poema, estabelece diálogo com duas obras anteriores: o romance Húmus, de Raul Brandão, publicado em 1917, e o poema homônimo de Herberto Helder, de 1967. Nossa proposta, então é, a partir do trabalho de Torres, pensar como os meios digitais afetam a relação com o texto literário impresso, seja no ato da criação ou no da leitura, e discutir como se operam a retomada e o diálogo com as obras do passado. Nossa análise se fundamenta nos Estudos da Intermedialidade, de Irina Rajewsky, bem como no conceito de remediação, de Bolter & Grusin. Tomamos também a ideia de escrita palimpséstica, tal como a formula G. Genette, e a reflexão de Borges sobre a releitura da tradição, entendendo que, ao se apropriar de um texto, o poeta promove um desvio em relação ao texto precursor.


Palavras-chave


Poema hipermídia; Intermidialidade; Palimpsesto; Húmus - poema contínuo

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v51i3.1452

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Direitos autorais 2020 Keilla Conceição Petrin Grande, Rogério Barbosa da Silva

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.