Metáfora, Contexto e Incorporação na Retórica Neopentecostal

Erik Fernando Miletta Martins, Marcela Costa De Souza

Resumo


Segundo Hunt (2000), as igrejas neopentecostais têm como característica central a capacidade de adaptação a contextos espaço-temporais variados. Isto posto, neste artigo trabalhamos com a hipótese de que transformações ocorridas no contexto sociopolítico nacional ao longo de uma década afeta a produção textual-interativa presente em sermões neopentecostais. O foco de nossa atenção está no emprego de metáforas, fundamentais ao sucesso da retórica neopentecostal (MARTINS, 2011; 2015, 2017). Para alcançar os resultados, analisamos a relação entre a conceptualização metafórica da categoria INVESTIMENTO e a incorporação (HANKS, 2008) de mudanças no habitus (BOURDIEU, 1996) do público-alvo em dois cultos, um ministrado no ano de 2007 e outro no ano de 2017. Os resultados apontam que, em 2007, a categoria INVESTIMENTO é conceptualizada em termos determinísticos de um percurso. Já em 2017, o locutor conceituou INVESTIMENTO em termos de uma escolha. Ao longo da análise apontamos possíveis motivações para esta diferença e, em nossa conclusão, sugerimos que na retórica neopentecostal a incorporação do contexto sociopolítico ao discurso produz efeitos na construção de estratégias argumentativas direcionadas à adesão às práticas financeiras, como os dízimos e as ofertas.

Palavras-chave


Metáfora; Contexto; Retórica; Igrejas Pentecostais

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DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v1i51.1371

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