Políticas Linguísticas do Estado Novo e Biopoder: a Questão das Línguas de Imigrantes Italianos em Santa Catarina

Renata Santos

Resumo


Este artigo apresenta uma leitura das políticas linguísticas do Estado Novo, e seus mecanismos de controle, especialmente no que tange as línguas italianas faladas por imigrantes italianos e seus descendentes em Santa Catarina, a partir do conceito de biopolítica (FOUCAULT, 2005). Dentro do projeto de nacionalização promovido pelo Estado Novo, criou-se a imagem de um inimigo comum, o estrangeiro, e uma das políticas postas em ação era a interdição das línguas estrangeiras. O que este trabalho discute é como se dá a interferência do Estado não apenas por meio das leis, mas a partir de mecanismos de controle e vigilância que se espraiam por entre os indivíduos, seguindo a lógica do panóptico (FOUCAULT, 1987), a partir da qual o poder incide diretamente sobre os corpos produzindo corpos dóceis. No caso dos imigrantes italianos em Santa Catarina, essas políticas resultaram no apagamento de várias línguas italianas trazidas pelos imigrantes, além do desenvolvimento de uma conotação negativa para o termo “colono”, que perdura até os dias atuais e contribuiu para a construção de uma imagem negativa sobre os descendentes de imigrantes italianos.

Palavras-chave


Políticas Linguísticas; Biopoder; Língua Italiana; Imigração

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DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v1i51.1364

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