Crônica de uma tradutora anunciada: Clarice e a tradução como dever

Rony Márcio Cardoso Ferreira, Germana Henriques Pereira

Resumo


Clarice Lispector tornou-se conhecida por renovar a prosa intimista da literatura brasileira durante o século XX. Além de escritora, foi jornalista, repórter e entrevistadora na imprensa carioca, sem contar o seu ofício de tradutora, por meio do qual assinou a versão de cerca de 46 textos em língua portuguesa, entre eles romances, contos e peças teatrais. Contudo, seus trabalhos de tradução ficaram de lado quando se discutiu, no cenário da crítica, o peculiar caminho de seu projeto literário. Nesse sentido, o presente artigo visa a um estudo da primeira tradução assinada por Clarice antes mesmo da publicação de Perto do coração selvagem (1943): a versão em português do conto “Le missionnaire” (1921), de Claude Farrère. Em outras palavras, este estudo procura evidenciar o lugar sintomático da tradução diante do projeto da escritora-tradutora, mesmo antes da publicação de seu primeiro romance. Para tanto, a partir dos estudos da tradução literária, esta reflexão volta-se à versão em língua portuguesa do conto francês, procurando tomá-la como um dos marcos iniciais do percurso de Clarice enquanto tradutora. Percurso este que nunca esteve dissociado de seu projeto, mesmo quando a jovem Lispector era ainda uma desconhecida nas letras nacionais.


Palavras-chave


Tradução literária; Clarice Lispector tradutora; Literatura brasileira

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DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v47i1.1199

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